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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Entrevista: Cristina Branco

·    O que podemos esperar do seu último álbum “Não Há Só Tangos Em Paris”?
·    Idealmente todos os ouvintes compreenderiam a intenção da pesquisa, da procura poética, mas como normalmente isso não passa de uma ilusão_ todos temos critérios e opiniões divergentes sobre tudo, mais ainda sobre o que é lato e passível de ser criticado _digo apenas que é uma viagem que atravessa o universo do Tango e do Fado e que os aproxima musicalmente e ao nível de conteúdos, e essa viagem reflecte uma outra, paralela, que começa no descontentamento, na procura do mundo novo, e tanto para argentinos como portugueses, esse desassossego é amoroso, lascivo, apaixonado e são sentimentos que se confundem entre a carne e o sangue derramado, como num bom Tango. Há amor, solidão e traição, há desespero e desencontro. Isso é o Fado, como é Tango também.

·    E desse disco qual é a sua canção favorita?
·    Não tenho filhos favoritos. Todas as músicas estão ali porque fazem parte da história que eu quis contar, aquilo que hipoteticamente não resultaria tão bem, ficou de fora. Mas talvez nomeie “A Laurindinha” (João Paulo Esteves da Silva  e Miguel Farias), como o momento entre o arrebatamento e a introspecção, no fundo, a Laurindinha somos nós todos a “espernear” por um mundo interior melhor, a implorar amor e atenção e aqui, o dito “Facebook” (“rabisca amor em cem murais”) é  o oráculo, o “Salvador”.

·    O que difere o “Não Há Só Tangos Em Paris” do seu disco anterior “Kronos”?
·    Começando pelo tema, é tudo diferente. O Kronos é uma mão cheia de cantautores experimentados e bem sucedidos a falarem do seu tempo e das marcas que este lhes impugnou; Não há só Tangos em Paris é mais ufano, mais reflexivo da natureza das nossas emoções e de como a música dos povos e as suas movimentações se unem ou afastam, se reagrupam em momentos distintos historicamente, geograficamente. Não há só Tangos em Paris transpira drama e alegre sensualidade e devolve-nos sentimentos antigos, imagens de outros tempos.

·    Como surgiu a ideia de cantar e gravar em francês?
·    Não sendo a primeira vez (aconteceu em “Corpo Iluminado”_ avec le temps de Leo Férrè e em “Ulisses” _Liberté de Paul Elouard), o “L’Invitation au voyage” (C.Baudelaire) era o poema que faltava para ligar as pontas com o mundo francófono, que atravessava sistematicamente a pesquisa que fui fazendo sobre o Tango e o desenraizamento e fuga para o exílio feita pelos argentinos e que me levava a criar paralelos com o Fado e os fenómenos migratórios portugueses. A música é do João Paulo Esteves e já estava feita foi só adaptá-la à minha voz e ao devir deste disco.

·    Acha que o mercado estrangeiro está hoje em dia mais aberto ao fado e à música portuguesa?
·    Não mais do que há dez anos atrás, talvez a grande diferença daí para cá seja o facto de haver cada vez mais intérpretes, logo mais possibilidades de despertar a atenção do mercado. Além disso, criaram-se as condições favoráveis ao ressurgimento do Fado, que na verdade não morreu, nem sequer estava moribundo, apenas se revestiu de uma modernidade necessária para ser notado nos grandes mercados internacionais e assim poder competir com outros géneros mais vistosos. 

·    Qual a sensação de cantar para uma plateia esgotada, como aconteceu recentemente no São Luiz?
·    É magnífica e felizmente não é uma excepção. É bom saber que o nosso trabalho, o esforço merece o reconhecimento do público.

·    Como descreveria a sua música?
·    É uma música sem espartilhos.

·    Ouve muito fado, ou gosta de outras sonoridades?
·    Ouço pouco Fado, por necessidade de me distanciar, mas ouço bastante outros géneros, dependendo do momento. Coisas muito específicas, gosto de projectos de fusão, Jazz, MPB...

·    O que podemos esperar da Cristina Branco nestes próximos tempos?
·    Muita estrada, as necessárias e exaustivas digressões e reciclagem de temas, outros novos que encadearão necessariamente no que vem de trás. O bom da música é a curiosidade que ela desperta, onde nos leva e o que nos devolve. De mim podem esperar muitas coisas, mas nunca a mediocridade, o desinteresse.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Entrevista: Cuca Roseta



– Como define o seu disco de estreia?
É um disco Puro. Embora se esteja á espera que seja algo complexo,por ser produzido por Gustavo Santaolalla,com algum som novo, que não Português ou tradicional, tem como identidade exactamente o oposto: uma Pureza, um Minimalismo, uma Verdade. Palavras do prório Gustavo foram "Eu quero que as pessoas oicam esta musica como se lhes estivessem a cantar ao ouvido." "Tentar a transposicão mais pura possível do que se ouve numa casa de fados, onde não existem nem pautas nem microfones". Puro e Verdadeiro.
– Quais as suas inspirações musicais dentro e fora do fado?
Amália Rodrigues, Ana Moura, Nat king Cole, Frank Sinatra, Michael Buble,Tchaikovsky, Três Tenores.
– Foi integrante dos Toranja, o que retirou dessa experiência?
O primeiro contacto com os palcos,contacto com artistas portugueses em todos esses festivais de musica por onde passavamos, experiencia de vida em banda incrivel e inesquecível, não vou esquecer aquela familia. De resto o Fado é muito diferente; traz um mundo bem mais profundo e emocional pelo qual me apaixonei.
– O fado é realmente a sua paixão ou imagina-se a gravar discos de outros géneros no futuro?
O Fado é a minha grande paixão e hei-de morrer a cantá-la. Tive muitas experiências com muitos generos musicais e por nenhum deles dedicaria a minha vida. O fado está-me nas veias. Encontrei a minha casa. Embora aprecie a música em geral e por exemplo tango; flamenco, jazz e Bossa nova seriam experiências que adoraria ter em parceria com o fado. E porque não hip-hop e Rock. Estarei sempre aberta a cantar tudo,mas o meu genero é o fado e discos serão sempre de fado.
– O que tem ouvido ultimamente?
Sou viciada na voz de Nat king Cole, transporta-me para um mundo encantado; Acho que o Michael Jackson um dos homens mais talentosos do Mundo. Queen e Beatles sempre, embora no meu carro é dificil sair o álbum do michael Buble, tenho todos os discos dele. De vez em quando para descomprimir, troco-o por Michael Bolton, Radiohead, Colbie Caillat, Pedro Abrunhosa, Jason Mraz, Pink, Incubus. E claro, pela Amália Rodrigues. 
– Como descreve o seu estilo pessoal?
Uma dose de introspecção,uma dose de energia,muitoa sensibilidade, emoção á flor da pele, mas essencialmente, natural.
– Com quem gostaria de fazer um dueto?
Com o Michael Buble. Com um flamenquista.
– Acha que hoje em dia os jovens estão mais atentos ao fado e à música tradicional portuguesa?
Acho que estão muito mais. E acho que cada vez estarão mais. A nossa música é incrivel,está a conquistar o mundo, só ainda não se descobriu a ponte para chegar a toda a gente e principalmente aos jovens, estamos a falar de descrições de histórias de Amor, isso é de e para todas as idades. Falta a ponte.
– Qual é a sua canção preferida do disco?
Impossível responder. Foram escolhidas a dedo. Sou louca por cada uma delas, cada uma me transporta para um sitio diferente e traz toda uma história de vivência emocional e profunda agarrada à escolha da poesia e á melodia. "Nos teus braços" é especial,porque veio da minha natureza,mal ou bem, mais "eu" não me podia sentir.  E isso é muito importante para uma música como o fado.que conta a "verdade" mais profunda e emocional de quem o interpreta.
– Quais os seus planos para o futuro?
Nunca planeio o futuro, pretendo simplesmente cumprir a minha missão a cada dia,pondo em práctica o meu dom e fazendo o melhor que posso.Acredito que é para isso que existimos,para por em práctica ou dar aos outros aquilo que nos foi dado pelo Universo como tesouro, mas em "vasos de barro", é preciso explorar, sacrificar, ter persistência na exploração do dom e acima de tudo: Paixão! Sobre o Futuro,o destino o dirá...
Nota: O disco de Cuca Roseta está desde hoje nas lojas e também no Itunes. Comprem!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Entrevista: Luísa Sobral


- Que diferenças os portugueses podem ver entre a Luísa Sobral de “The Cherry On My Cake” e a Luísa Sobral que participou na primeira edição do “Ídolos”?
Sou a mesma pessoa mas 7 anos mais velha o que claro faz uma grande diferença…Agora sim posso dizer que estou orgulhosa do meu trabalho e que me conheço melhor como musica.

- Qual a tua música preferida do álbum? 
Acho que era o single, a “Not there yet” , mas já o ouvi muitas vezes…agora talvez seja a “I would love to” ou  a  “Clementine”

- Com quem gostarias de colaborar musicalmente? 
Com o Tim Burton num dos filmes dele

- Como defines o teu estilo pessoal? 
Alice no pais das lojas em segunda mão

 – Lisboa ou Nova Iorque? 
Lisborque

– O que te imaginas a fazer daqui a dez anos? A dar concertos e a viajar

– Diz um filme, um livro e um álbum que te definam como pessoa.
Filme: O fabuloso destino de Amelie Poulin e o Big fish
Livro:  As horas- Michael Cunningham
Album: Billie Holiday- Love songs

- Como surgiu a ideia para o vídeo de “Not There Yet”?
Eu queria criar um mundo imaginário porque acho que faz sentido com a musica, os  Jump Willy proposeram  a ideia de ser um mundo feito de papel  e eu achei perfeito. O resto é uma representação da letra na qual eu imagino o meu futuro ao lado de uma pessoa especial.

- Como jovem qual é a tua relação com as redes sociais?
 Uso o facebook  bastante e o Myspace onde tenho algumas das minhas musicas.


– O que esperas conquistar com este álbum de estreia? 
Espero que as pessoas gostem e que se identifiquem com as letras e com a sonoridade.

Nota: Obrigado à Universal Music Portugal e à Luísa Sobral pela disponibilidade!


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Entrevista: Fábio Ventura



É com grande prazer e orgulho que vos trago a primeira entrevista do blog Culturwave. Uma entrevista a Fábio Ventura, um jovem autor do Algarve que com apenas vinte e quatro anos tem já dois livros publicados pela Casa das Letras.
Fábio escreveu o que para mim foi um dos melhores lançamentos de 2009, "Orbias - As Guerreiras da Deusa", dando um novo fôlego à literatura fantástica em Portugal e conseguindo um sucesso bastante surpreendente para alguém tão jovem e sem nome no mercado.

Agora, passado quase um ano, lança o segundo volume da saga intitulada "Orbias - O Demónio Branco". Com esse mote deixovo-os com uma série de perguntas variadas e num tom descontraído e amigável, querendo que os leitores do Culturwave conheçam um pouco mais deste jovem talentoso, criativo, humilde, simpático e sempre acessível. Espero que gostem. E não se esqueçam de ler os dois volumes de "Orbias". Obrigatório no panorama literário português actual!



- Tens algum tipo de ritual de escrita?
Não tenho nenhum ritual específico. Apenas preciso de estar sozinho e sempre com boa música a tocar nos headphones. Não consigo escrever sem música.

- Escreveste os dois livros em que locais? À mão ou a computador?
Escrevi sempre em casa e no computador. Não gosto de escrever à mão. Para além de ter uma caligrafia terrível, penso que no meu caso é um desperdício de tempo. Eu e o computador temos uma relação muito íntima, eheh.

- Como escritor qual a tua melhor arma para combater o bloqueio e a falta de inspiração?
No meu caso, a melhor arma é mesmo parar de escrever e ver um filme, série, jogar alguma coisa para ver se relaxo e se a inspiração regressa. É infalível!

- De todas as tuas personagens, qual a que mais se parece contigo?
Todas as personagens têm um pouco de mim, como se fossem minhas filhas. Mas diria que a Noemi é a que mais se parece comigo pela sua racionalidade, pela forma como pensa demasiado nas coisas, como sonha demasiado alto ou como também consegue ser divertida se tiver a confiança necessária para isso.

- Consegues imaginar os teus livros traduzidos em outras línguas? Alguma possibilidade de isso acontecer no futuro?
Consigo imaginar, mas tenho consciência que é muito, muito difícil. Portugal não é um país com muita tradição de exportação de obras nacionais, talvez devido à barreira da língua. Claro que é um grande desejo meu, mas penso que seria necessário mais sucesso e mais vendas. Talvez o Brasil seja um sonho mais realista, até porque recebo constantemente mails de brasileiros a pedir os livros no seu país. Nunca se sabe…

- Gostarias de escrever em parceria com outra pessoa ou o teu processo de criação é demasiado pessoal para partilhar?
Sinceramente, não me vejo a escrever com ninguém. Penso que em raros casos isso resulta e, mesmo assim, em alguns livros é vísivel as diferentes influências das duas pessoas. A escrita é um processo muito pessoal e intimista para mim, diria até que sou egoísta nesse aspecto. Porque, afinal, onde termina a liberdade criativa de um e começa a do outro?

- Costumas fazer os teus lançamentos em livrarias, mas se pudesses ter um orçamento gigantesco e escolher um local e organizar um mega lançamento de sonho como seria?
Hm, é complicado. Penso que uma sessão de lançamento de um livro nunca iria resultar se fosse um evento demasiado grande. Há um certo toque intimista, de contacto com o público, que aprecio bastante nessas sessões. Para mim, uma Fnac, Bertrand, etc. chegam muito bem.

- Consideras que o teu livro abriu portas a outros jovens escritores em Portugal?
Gosto de pensar que sim, até porque sou contactado constantemente por jovens autores em busca de conselhos. Penso que o meu livro trouxe uma nova essência à literatura fantástica portuguesa que fazia falta. E uma vez que o meu livro foi tão bem sucedido, acredito que outras editoras se sintam mais seguras para dar oportunidades a outros jovens autores. Temos tão bons talentos em Portugal! Gostava que o nosso “grupo” crescesse, principalmente porque a literatura só tem a ganhar com as visões originais e refrescantes de autores mais jovens. E quando digo “jovem”, falo da casa dos 20 e não da casa dos 30 como a imprensa refere…

- Que conselhos dás a quem queira escrever um livro em Portugal?
Muita persistência! É preciso ler bastante, de preferência, vários géneros e estilos; praticar a escrita e exercitar a criatividade. Depois é ir à luta, ter muita paciência e alguma sorte para que alguma editora dê uma oportunidade.

- Qual o filme, a música e o livro da tua vida?
Bem, filme, e mesmo não gostando de cinema francês, é o “Fabuloso Destino de Amélie Poulin”. É um filme lindíssimo que não me canso de ver e que mexe comigo de uma forma abismal. Deixa-me sempre com um sorriso quando vejo esse “conto de fadas dos tempos modernos”.
Música, qualquer uma dos Evanescence. Sou um grande fanático pela banda e pela voz da Amy Lee e posso afirmar que é a banda sonora da minha vida.
Livro, tenho vários, mas creio que posso escolher como preferido o “Kafka à beira mar” pelas inúmeras mensagens que Haruki Murakami nos transmite.

- Qual o último livro que leste e que te deixou assombrado pela positiva?
Foi esse mesmo, o “Kafka à beira mar” do Haruki Murakami. Há muito tempo que estava para ler Haruki Murakami e não me arrependi. O autor tem um grande dom para escrever de forma simples, mas ao mesmo tempo oferecendo uma magia e um surrealismo complexos que nos envolvem e mexem com a nossa mente, coração e alma.




- Se o Orbias fosse adaptado ao cinema que actores gostarias de ver nos papéis principais (Sebastian e as Guerreiras)?
Bem, eu tenho um segredo. Quando escrevo, imagino sempre as minhas personagens como actores ou cantores que de facto existem. Facilita bastante o “filme” que passa na minha cabeça enquanto escrevo. Não quero que isto ifluencie a imaginação dos leitores, mas gostaria imenso de ver os seguintes artistas: Amy Lee (Noemi), Brandon Flowers (Sebastian), Jessica Alba ou Eliza Dushku (Lorelei), Evangeline Lilly (Riddel), Christina Ricci (Rouge), Florence “and the Machine” (Belladonna) e uma Reese Witherspoon mais novinha (Lily-Violet).

- Consideras que a moda é uma influência importante nos teus livros?
Não é propriamente uma influência directa. Mas eu tenho um gosto especial por moda, até porque adoro desenhar e imaginar personagens com peças de roupa originais. Quando escrevo, tento sempre passar esse meu gosto através das descrições do vestuário das personagens. Em relação a “moda” num sentido mais geral, também gosto de incluir elementos que estejam em voga na altura, como algum filme, artista ou música, pois isso confere alguma actualidade à história e o público identifica-se com ela.

- Preferes o Twitter ou o Facebook?
Houve uma fase em que preferia o Twitter. Mas a sua extrema simplicidade acabou por me aborrecer. Sentia falta de maior interacção com as pessoas e por isso virei todas as minhas atenções para o Facebook. Também devido à divulgação dos livros, não há um dia que passe sem que visite o Facebook.

- Qual a tua viagem de sonho?
Japão! Desde pequeno que sou fascinado pelo Japão, a sua cultura, a forma como misturam tradição e modernismo, o país em si. É um dos meus grandes sonhos. E espero um dia conseguir visitar o país do Anime e do Sushi.

- Tens algum ídolo?
Tenho vários e todos eles pela sua maravilhosa criatividade: Amy Lee (vocalista dos Evanescence), Tim Burton (produtor e realizador), Hironobu Sakaguchi (criador da saga Final Fantasy), Haruki Murakami (escritor), Scott Westerfeld (escritor), entre muitos outros.

- Para além da escrita gostarias de te lançar profissionalmente e arriscar noutro tipo de arte?
Gostava imenso de estudar e trabalhar em Design de Moda. Desde pequeno que gosto de desenhar a forma feminina com diversos estilos de roupas. Mas de uma forma geral, gostava imenso de explorar o meu jeito (ou não) para o desenho e pintura.

- Qual a tua frase ou citação preferida?
Eu diria que é…”A sorte protege os audazes”.

- Tens um curso de comunicação social e já revelaste publicamente teres alguns dissabores com a falta de emprego na área. Apesar disso ainda aconselhas as pessoas a tirarem cursos superiores?
Pergunta complicada…Em dias em que estou de cabeça quente em relação a esse assunto, diria para não tirarem. Mas penso que é importante tirar um curso superior. As coisas estão complicadas no nosso país (e no mundo), mas um dia vão melhorar. Além disso, os cursos superiores dão-nos outros tipos de formação e educação que nso tornam melhores pessoas e melhores profissionais. No meu caso, ajudou-me a melhorar a escrita. Porém, aconselho a terem muito cuidado com o curso que escolhem. Por exemplo, não aconselho ninguém a tirar um curso de comunicação, pois o mercado está saturado e as condições de trabalho nesta área são precárias.

- Consideras que a tua geração é criativa e que pode mudar a forma como se faz cultura e arte?
Penso que sim. Qualquer geração mais jovem, se bem “educada” e inteligente, consegue mudar a cultura e a arte e fazer coisas fantásticas. O exemplo mais directo que me lembro agora é a Lady Gaga, que tem a minha idade. Quer se goste das músicas ou não, ela marca pela diferença e originalidade e construiu o seu próprio sucesso levando a “arte” (nomeadamente a pop art) até à música e aproveitando o marketing de forma inteligente. Mas claro, há inúmero exemplos de sucesso na minha geração. Até posso dizer que a colheita de 1986 foi muito boa, eheh.

- Quais são os teus planos e objectivos para o futuro?
Para já, os meus planos são continuar a escrever. Tive a oportunidade de começar a minha carreira literária e o meu sucesso superou as minhas expectativas. Vou aproveitar para crescer, aventurar-me por outros estilos e géneros para me desafiar. A curto-prazo, também continuo à procura de emprego na minha área da comunicação, mas o nosso país anda bem “lixado” (desculpem o termo, mas é o mais adequado) para dar oportunidades a jovens. Se não conseguir, pode ser que me aventure por outra área, quem sabe. Sou muito novo, o céu é o limite!

- Algum plano para um terceiro livro de Orbias?
Por enquanto, ainda não há planos para um terceiro Orbias. O segundo Orbias fechou um ciclo da história e posso não voltar a pegar na série. Tenho um novo projecto em mãos que gostaria de levar para a frente e a curto-prazo. Será um livro do género fantástico também, mas ligeiramente mais negro e maduro e menos “fantasioso” que os Orbias. No entanto, vou esperar pelo feedback dos leitores para decidir que livro oferecer para o ano: um terceiro Orbias ou um novo livro.






                                                                           "Orbias - O Demónio Branco"
                                                                              Já à venda em todo o país!